segunda-feira, 6 de maio de 2013

Cresce a falta de educação nos cinemas


Assistir, ou pelo menos tentar assistir a um filme, se tornou um grande tormento quando resolvemos ir ao cinema no Orient Cine Place, no shopping Boulevard. O barulho das conversas, o entra e sai de pessoas, a inquietação dos adolescentes, o aparelho celular que insiste em tocar e as pessoas que não se importam em atendê-los, nos faz pensar: aonde foi parar a educação nos cinemas?

Nas salas de exibição é que ela não está. Antes era raro encontrar um ou outro espectador inconveniente, que insistia em fazer algum barulho, às vezes acontecia de você sentar próximo de uma pessoa que estava ali simplesmente para “zoar”, ao invés de prestar atenção ao filme, mas um conhecido “xiiiiiiiiii” fazia com que eles parassem.

Hoje em dia tudo mudou. As pessoas vão ao cinema como se estivessem assistindo a um filme no sofá confortável de casa. Conversam durante a sessão, às vezes sobre o filme e às vezes sobre assuntos domésticos ou sobre o que vão fazer no dia seguinte.



O FOLHA DO ESTADO foi ao cinema ouvir relatos de pessoas que se incomodam com a ausência de respeito nas salas de exibição, e hoje, o simples ato de exigir silêncio, respeito, pode ocasionar até agressões como a sofrida por Lúcia Barroso.

“Outro dia levei meus filhos para assistir a um filme. A sessão estava vazia, tinha uns dois casais sentados à nossa esquerda e um grupo de jovens mais atrás que conversavam alto. O filme começou e eles continuavam a conversar. Fui pedir silêncio e, para minha surpresa, fui xingada pelos garotos”, conta Lúcia, que diz ter ficado com medo de levar uma surra.

Outra espectadora, Adile Batista, acha que a solução para a falta de educação seria a separação das faixas etárias. “Eu acredito que deveria separar os horários, e os jovens pudessem não se misturar com os adultos, porque são eles que fazem a baderna”, propõe.

O cantor feirense Guymeo Jumonji diz que sempre há algum chutando sua cadeira. “Toda vez que venho ao cinema tem uma pessoa que fica me chutando, mesmo que eu reclame não tenho paz. Tem outros que fazem piadinhas durante o filme ou dão risadas, gritos, e isso incomoda muito”, lamenta.

Ele fala que o brasileiro em si é mal educado e gosta de ser assim. “Apesar de eu ser brasileiro também, acredito que muitos de nós já cultuamos esse lado ruim de não respeitar o próximo e achar que é bonito ser o centro das atenções que nada mais é ser fútil”, explica.

A subgerente do Orient Cineplace, Luciene Rodrigues, conta que diariamente os usuários reclamam das badernas nas salas de exibição e por isso contratou seguranças que monitoram durante os filmes.

“Depois de muitas reclamações, contratamos alguns monitores que fiscalizam as salas durante as exibições, quando há alguma ocorrência, ele primeiramente adverte a pessoa que está incomodando e, caso persista, aí convidamos para que ele se retire da sala”, garante.

A subgerente lembra que o cinema é um espaço de lazer e que infelizmente é necessário adotar medidas como estas para manter o bom senso e a educação.


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